| Jornal online - Registo ERC nº 125301



O país de fantasia do Passos Coelho e o país real dos portugueses
Publicado quarta-feira, 28 de março de 2012 | Por: Notícias do Nordeste

Eugénio Rosa
No discurso de encerramento do Congresso do PSD, realizado no fim de semana de 24-25 de Março, um dos pontos mais matraqueados por Passos Coelho, foi que o seu governo estava a conseguir equilibrar as contas externas do País, e que isso determinaria que Portugal já não se teria de endividar mais ao estrangeiro, tendo apenas de pagar a divida existente.

E isso, segundo o 1º ministro, era a condição indispensável para que o país pudesse iniciar uma fase de crescimento económico sustentado.

No entanto, por ignorância ou com a intenção de enganar os portugueses, Passos Coelho “esqueceu-se” de explicar como está a ser conseguida a redução do défice da Balança Corrente, que inclui o de outras balanças com o exterior (importações e exportações, créditos e débitos), e quais as consequências futuras para o desenvolvimento do país da forma como essa redução conjuntural do défice externo está a ser realizada.

Por isso interessa analisar com objectividade esta questão e, para isso, vamos utilizar os últimos dados dados oficiais divulgados pelo Banco de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Devido à redução significativa do consumo interno e, principalmente, do investimento, o défice da Balança Comercial (Bens) tem diminuído mas, como consequência, quer do controlo crescente das grandes empresas portuguesas quer da riqueza produzida em Portugal pelos grandes grupos económicos estrangeiros, o défice da Balança de Rendimentos não tem diminuído, em percentagem do saldo da Balança Corrente, que inclui o saldo das diversas balanças das relações de Portugal com exterior, até tem aumentado como mostra o quadro seguinte construído com dados divulgados pelo Banco de Portugal.

Entre 2008 e 2011, o saldo negativo da Balança Corrente, que inclui os saldos das outras balanças, diminuiu em -49,3%, sendo esta descida determinada em grande parte pela redução do saldo negativo da Balança Comercial que, no mesmo período, registou uma redução de -42,6%. No entanto, o saldo negativo da Balança de Rendimentos com o exterior aumentou em +9,7%, o que significa que a diferença entre os rendimentos transferidos para o exterior (débito) e os recebido do exterior (credito) continuou a aumentar de uma forma desfavorável para o país. Segundo o Banco de Portugal, só no período 2008-2011, foram transferidos para o exterior 74.942 milhões €, cerca de 43,6% do PIB, o que determina a descapitalização do país, e impede que esta elevada parcela da riqueza criada pelos portugueses não seja investida em Portugal, para modernizar e aumentar a competitividade das empresas e criar emprego. E a tendência tem sido de agravamento, mas Passos Coelho, por ignorância ou intencionalmente para enganar a opinião pública, nada disse sobre esta matéria importante.

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A destruição dos estabilizadores sociais
Publicado domingo, 11 de março de 2012 | Por: Notícias do Nordeste

Eugénio Rosa
As despesas com as prestações sociais, como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, etc., aumentam quando a situação económica e social se agrava e, inversamente, diminuem quando a situação económica e social melhora. Portanto, são despesas que funcionam como autênticos estabilizadores sociais automáticos impedindo que a pobreza e a fome se generalize num país quando enfrenta uma grave crise social.

Esse aumento “automático” de despesas em período de grave crise económica também funciona como estabilizadores económicos, na medida que garantem um poder de compra mínimo a uma parte importante da população, mantendo assim um mercado que é fundamental para milhares de empresas, nomeadamente para que microempresas e PME continuem a funcionar, assegurando emprego a centenas de milhares de trabalhadores.

É tudo isto que está a ser destruído, neste momento, em Portugal pela “troika estrangeira” e pelo governo PSD/CDS, com a sua politica de cortes brutais nas despesas sociais, dominados pela obsessão doentia de reduzir o défice orçamental num curto período de tempo.

Para se poder ficar com uma ideia mais clara dos efeitos sociais e mesmo económicos dramáticos da politica de austeridade cega que está a ser imposta ao país, pelos estrangeiros com a colaboração activa e empenhada dos seus peões internos, interessa analisar os efeitos sociais daqueles estabilizadores automáticos na redução da pobreza em Portugal.

Segundo o inquérito realizado pelo INE às “Condições de vida e de rendimento dos portugueses”, cujos resultados foram divulgados recentemente, 17,9% dos portugueses vivem já no limiar da pobreza. No entanto, se forem eliminadas as transferências sociais garantidas fundamentalmente pela Segurança Social, essa percentagem sobe para 43,4%, o que corresponde a 4,6 milhões de portugueses.

E mesmo mais de meio milhão de trabalhadores com emprego vivem no limiar da pobreza devido aos baixos salários que recebem. De acordo também com o INE, após as transferências sociais, 10,3% dos trabalhadores empregados viviam no limiar da pobreza, 37% dos desempregados estavam na mesma situação.

E isto refere-se ao ano de 2009, pois a situação actual deverá ser muito mais grave, pois com a destruição crescente dos estabilizadores sociais como se conclui rapidamente dos dados constantes do quadro 1, elaborado com base nos Relatórios que acompanham os Orçamento do Estado dos diversos anos, muitos mais milhares de portugueses foram lançados na miséria.

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