| Jornal online - Registo ERC nº 125301



O deficit fictício de 2011
Publicado quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 | Por: Notícias do Nordeste

Eugénio Rosa
Tal como aconteceu com Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal dos E.U.A., cuja cegueira ideológica neoliberal o impediu de tomar medidas que evitassem a crise iniciada em 2007, também em Portugal a cegueira ideológica neoliberal que domina Passos Coelho e o ministro das Finanças está a impedi-los de ver que estão a destruir o país. A política de austeridade, assente na ideologia neoliberal, tem como objectivo garantir o pagamento aos credores, que são os grandes grupos financeiros, como afirma o Nobel da economia Joseph Stiglitz. E isto mesmo que seja à custa da destruição da economia e da sociedade.

Apesar da falência de milhares de empresas e do aumento brutal do desemprego e da pobreza em Portugal em 2011, o objectivo de redução do défice para 5,9% não foi atingido porque era irrealista. O défice orçamental de 5,9% em 2011, anunciado triunfalmente pelo governo e pela “troika” estrangeira, não é real, mais é sim um défice fictício, já que só foi conseguido com a utilização de uma parte dos activos dos fundos pensões dos bancários. O verdadeiro défice de 2011 foi de 7,5% do PIB, o que corresponde a 12.737,5 milhões €. E em 2012, o governo e a “troika” pretendem reduzir o défice orçamental para 4,5%, ou seja, para 7.556,9 milhões €, o que significa uma diminuição de 40,7% (-5.180 milhões €). A redução do défice nesta dimensão, quando Portugal já se encontra em plena recessão económica, só poderá determinar mais destruição da economia, a falência de milhares de empresas, o aumento brutal do desemprego, a generalização da pobreza e da miséria, e sacrifícios enormes para a maioria dos portugueses. É um objectivo que, se for concretizado, só poderá levar o país a um grande retrocesso económico e social. É urgente reagir ao estado de choque causado pela intervenção estrangeira, e exigir um período mais alargado para fazer a consolidação orçamental, pois quanto maior for o prazo menor será a destruição da economia e da sociedade portuguesa.

A análise das medidas para 2012 constantes do Memorando revisto em Dezembro de 2011, à margem da Assembleia da República, entre o governo e a “troika” estrangeira, confirma o carácter irrealista e desumano daquilo que o governo e “troika” pretendem impor aos portugueses em 2012. Governo e “troika” tencionam reduzir os salários do sector público em, pelo menos, 3.000 milhões €, o que vai determinar uma degradação, por falta de pessoal e desmotivação, de serviços públicos essenciais à população (educação, saúde, segurança social, justiça, etc.); diminuir as despesas com pensões em 1.260 milhões € o que vai lançar muitos milhares de pensionistas na pobreza; cortar 1000 milhões € nas despesas públicas com a saúde e 380 milhões € nas despesas com educação, o que levará a uma grande degradação dos serviços públicos de saúde e de educação; reduzir o investimento público em 200 milhões €, o que contribuirá para que não se crie emprego; baixar em 100 milhões € as transferências do OE destinadas a prestações sociais, o que fará aumentar a pobreza e a miséria; reduzir as transferências para as Autarquias em 175 milhões € e cortar mais 130 milhões € despesas pública por aumento da eficiência, embora não diga onde e como, etc., etc..

Estes cortes na despesa pública com efeitos negativos nas condições de vida dos portugueses é realizado simultaneamente com um aumento brutal dos impostos em 3.040 milhões €, sendo 2.040 milhões € só no IVA; 265 milhões € no IRS; 180 milhões € em impostos sobre o consumo; 50 milhões € no IMI, etc. Portanto, por um lado, reduz significativamente as despesas públicas com efeitos grandes nas condições de vida dos portugueses (saúde, educação, assim como as prestações sociais destinadas a combater a pobreza e a fome) e, por outro lado, aumenta brutalmente os impostos e apropria-se dos subsídios de férias e do Natal, reduzindo os rendimentos nominais dos portugueses.

E tudo isto para garantir os pagamentos aos credores, que são grupos económicos e financeiros. Se juntarmos as privatizações a preço de saldo das partes de capital de empresas estratégicas que eram ainda detidas pelo Estado, entregando o seu controlo a grupos económicos estrangeiros; o aumento do horário semanal de trabalho em 2,5 horas, a redução de dias de férias e de feriados o que, somado, corresponde a mais um mês de trabalho anual gratuito (uma espécie de imposto pago aos patrões com trabalho gratuito, à semelhança de corveia que existiu na idade média prestada em trabalho gratuito pelos servos ao senhor feudal), associado à liberalização das rendas, à redução das indemnizações por despedimento e do subsidio de desemprego, ao aumento de preços, etc., pode-se dizer que se está perante um verdadeiro programa de destruição da economia e da sociedade em Portugal.

Como escreveu Naomi Klein em “A doutrina do choque – a ascensão do capitalismo de desastre”, este programa ultraliberal do FMI-BCE-CE, decalcado na escola de Chicago de Friedman, só é possível implementar quando um país está em estado de choque, provocado por uma situação anormal, como foi aquela que levou ao pedido de resgate. E é ainda mais grave quando existe um governo cego pela ideologia neoliberal e uns media que difundem na opinião pública uma mensagem de submissão, de inevitabilidade, de que a única solução é cumprir as imposições da “troika” estrangeira, é ser “bom aluno” como alguns sem dignidade e sem pudor dizem mesmo.

A CEGUEIRA IDEOLÓGICA NEOLIBERAL DO MINISTRO DAS FINANÇAS E DO GOVERNO DE PASSOS COELHO IMPEDE-OS DE VER QUE ESTÃO A DESTRUIR O PAÍS

Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal Americana, o banco central dos E.U.A., ao depor, em 2008, perante uma comissão do Senado americano confessou que a sua cegueira ideológica neoliberal o tinha impedido de tomar medidas que evitassem a crise iniciada em 2007. Perante a pergunta do presidente da comissão que o confrontou da seguinte forma: “ Por outras palavras, descobriu que a sua visão do mundo, a sua ideologia, não estava correcta, não resultava”, respondeu: “Precisamente. Foi precisamente por isso que fiquei chocado, porque – durante 40 anos ou mais – andei convencido que resultava excepcionalmente bem” (Mota, 2009).

Apesar da responsabilidade da ideologia neoliberal na crise actual, em Portugal está-se a assistir actualmente a uma situação muito parecida. O governo do PSD/CDS, e nomeadamente o seu ministro das Finanças, cegos pela ideologia neoliberal que os domina e uma “troika” estrangeira, estão a aproveitar o estado de choque provocado pelo pedido de resgate feito por Sócrates, com o apoio do PS/PSD/CDS, para impor as soluções ultraliberais do FMI. Numa entrevista dada ao Diário Económico de 22.12.2011, o arrogante burocrata do FMI, Poul Thomsen, declarou que “ o FMI esta de mente aberta para suavizar os objectivos orçamentais se a situação económica na Europa piore”.

Portanto, o doente tem de ficar antes totalmente destruído para depois o “grande senhor” pensar em suavizar os sacrifícios exigidos. É típico dos burocratas sem coração do FMI que ao longo dos tempos, aproveitando-se do poder do dinheiro e de situações de choques provocadas pelas crises que têm atingido muitos países, têm imposto aos povos ”soluções” que os deixam em pior situação do que aquela em que antes se encontravam.

E tudo isto em Portugal tem sido facilitado, por um lado, pela actuação dos principais media e dos comentadores com acesso privilegiado a eles, que têm procurado difundir a ideia junto da opinião pública que não existe alternativa, que a única e melhor solução é cumprir as imposições, que todos os meses são agravadas e, por outro lado, por um governo submisso, por medo ou por convicção ideológica, sem vontade e pensamento próprio, que se transformou numa autêntica marionete submissa das imposições da troika estrangeira.

UMA POLITICA QUE SÓ PODERÁ CAUSAR A DESTRUIÇÃO AINDA MAIOR DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE PORTUGUESA

Entre 2010 e 2011, o governo de Passos Coelho e o trio estrangeiro FMI-BCE-CE pretendiam reduzir o défice orçamental de 16.863,5 milhões € (9,8% do PIB) para 10.020,2 milhões € (5,9% do PIB), ou seja, em 40% (6.843,3 milhões €) num único ano. Apesar do país ter entrado em recessão como consequência das medidas de austeridade impostas, aquele objectivo não foi possível de atingir, sendo o défice orçamental real no fim de 2011 de 12.737,8 milhões € (7,5% do PIB). Para ocultar tal situação, e para atingirem ficticiamente o défice orçamental de 5,9% utilizaram indevidamente uma parte dos activos dos fundos de pensões dos bancários. No entanto, apesar de 2011 ter mostrado que uma politica de redução do défice com aquela dimensão num único ano não é realista e está destruir a economia e a sociedade portuguesa, mesmo assim o governo e “troika” estrangeira tencionam insistir na mesma politica em 2012. Como consta do Memorando revisto em Dezembro de 2011, à margem da Assembleia da República, em 2012, tencionam reduzir o défice orçamental para 7.556,9 milhões € (4,5% do PIB) o que significa, em relação ao défice real de 2011 (12.737,5 milhões €), uma redução de 40,7%, ou seja, uma diminuição de 5.180 milhões €. É evidente que uma redução do défice com esta dimensão num único ano, depois da redução real verificada em 2011 de 4.126 milhões € (2,3% do PIB), quando Portugal já se encontra em plena recessão económica e os seus principais parceiros da União Europeia já estão em pré-recessão, revela ou cegueira ideológica ou irresponsabilidade ou então ausência de qualquer preocupação em relação à destruição da economia e da sociedade portuguesa que isso inevitavelmente causará.

AS MEDIDAS PARA 2012 DO “MEMORANDO” REVISTO VÃO LANÇAR O PAIS NUMA RECESSÃO AINDA MAIS PROFUNDA, E CAUSAR SACRIFICIOS ENORMES AOS PORTUGUESES

A análise das medidas previstas para 2012 constantes do Memorando revisto sem conhecimento e autorização da Assembleia da República, no segredo dos gabinetes, apenas pelo governo e pelo trio estrangeiro FMI-BCE-CE, em Dezembro de 2011, revela que, se forem implementadas, determinarão o agravamento da recessão económica e um grave retrocesso social.

Assim, a “troika” FMI-BCE-CE impôs, e o governo de Passos Coelho aceitou por convicção ou submissão, a redução dos salários do sector público em, pelo menos, 3.000 milhões € (ponto 1.8 do Memorando). Este corte, com esta dimensão, vai determinar inevitavelmente uma degradação dos serviços públicos prestados a população (educação, saúde, segurança social, etc.). Para além do corte nas remunerações dos trabalhadores da Função Pública, a “troika” estrangeira também impôs a redução das despesas com pensões em 1.260 milhões € (ponto 1.9 do Memorando) o que inclui, para além da apropriação indevida do subsidio de férias e de Natal dos reformados que, enquanto trabalharam, descontaram para ter esse direito, inclui também em 2012 o congelamento das pensões de valor superior a 485€ (em 2011, todas as pensões foram congeladas). Se associarmos a isto, a redução para um terço as despesas de saúde que poderão ser descontadas no IRS, o aumento significativo das taxas moderadoras, a redução dos isentos do pagamento dessas taxas, e a redução da dedução especifica no rendimento que tem origem nas pensões para efeitos de IRS, rapidamente conclui-se que centenas de milhares de reformados sofrerão em 2012 uma degradação acentuada nas suas condições de vida que atirarão muitos para a pobreza.

A “troika” estrangeira também impôs que o governo reduza, em 2012, em 1.000 milhões € as despesas com a saúde dos portugueses. Obedientemente o governo já começou a implementar medidas, algumas delas bastante gravosas para os utentes. Assim, reduziu as comparticipações ou eliminou-as em muitos medicamentos o que obriga, a quem precise deles, a ter de pagar a totalidade do preço; aumentou as taxas moderadoras, sendo a subida de 122% nas consultas dos Centros de Saúde (passa de 2,25€ para 5€); de 108% nas urgências hospitalares (sobe de 9,6€ para 20€); de 100% em média nos exames médicos. No entanto, a redução da despesa pública em saúde em 1.000 milhões € num único ano, como pretende o governo e a “troika” estrangeira, não se obtém apenas com estes aumentos; para conseguir uma tal redução certamente muitas unidades de saúde terão de ser fechadas e ter-se-ão de realizar muitos cortes na prestação de saúde. E Portugal é já um dos países da U.E onde é mais elevada a parte que os utentes têm de pagar do seu bolso (segundo a OCDE, 35% das despesas com saúde já são pagas, em Portugal, directamente pelos utentes, que é um dos valores mais altos em toda a U.E.).

Mas existem outras reduções da despesa pública impostos pelo duo governo/”troika”. Por ex., em relação à Educação o corte sobe de 224 milhões €, como constava no OE-2012, para 380 milhões € (ponto 1.12), o que vai ter efeitos negativos no funcionamento das escolas; também tencionam reduzir em 200 milhões € o investimento publico (ponto 1.13), o que contribuirá para o aumento do desemprego; pretendem baixar em 100 milhões € as transferências do OE destinadas a financiar prestações sociais (ponto 1.14), o que fará aumentar a pobreza; reduzir em 175 milhões € as transferências para as Autarquias (ponto 1.15 do Memorando), o que diminuirá a capacidade destas para resolver problemas das populações; cortar mais de 130 milhões € nas despesas pública com a justificação de aumento da eficiência (ponto 1.16), embora não se diga onde e como será alcançado; etc., etc.;

Em suma, o “Memorando” revisto em Dezembro de 2011, à margem da Assembleia da República, é um gigantesco pacto de redução dos serviços públicos essenciais à população visando obrigar, quem precisar deles, a pagá-los. E isto é feito simultaneamente com um aumento brutal dos impostos em 3.040 milhões €, sendo 2.040 milhões € de IVA (ponto 1.19); 265 milhões € de IRS (1.20); 180 milhões € em impostos de consumo (1.22); 50 milhões € de IMI (1.23); etc., a apropriação indevida do subsídios de ferias e de Natal dos reformados e aposentados e dos trabalhadores do sector público, incluindo os das empresas publicas, o que provocará uma redução acentuada dos rendimentos nominais dos portugueses. Em suma, aumenta-se brutalmente os impostos e reduz-se significativamente os serviços de saúde e de educação prestados à população, as prestações sociais destinadas a combater a pobreza e a fome, assim como os rendimentos de todos os portugueses. É um autêntico programa de destruição da sociedade portuguesa.

O AGRAVAMENTO DA CRISE ECONÓMICA E SOCIAL EM PORTUGAL PROVOCADA PELO CAPITALISMO DO DESASTRE VISANDO GARANTIR O PAGAMENTO AOS CREDORES

A politica de austeridade imposta pela “troika” estrangeira FMI-BCE-CE, e executada pelo governo PSD/CDS, é uma politica de classe que visa garantir o pagamento aos credores, que são os grandes grupos económicos e financeiros, mesmo que isso seja à custa da destruição da economia e da sociedade portuguesa, e de enormes sacrifícios para a grande maioria dos portugueses. Em Portugal, a politica de austeridade visa: (a) Uma redução significativa da despesa pública, nomeadamente com as funções sociais do Estado (educação, saúde, segurança social, apoio aos desempregados, combate à pobreza) e com o investimento público; (b) Um aumento brutal dos impostos e a apropriação, pelo governo, do subsidio de ferias e do Natal que tem como objectivo reduzir o rendimento nominal dos trabalhadores e pensionistas; (c) Um imposto pago aos patrões através da imposição de trabalho gratuito (corveia); (d) Uma redução drástica do crédito às empresas e às famílias através da redução do “rácio de transformação” e do aumento do “rácio de capital” (Tier I). Como consequência o agravamento da recessão económica é inevitável, sendo o governo obrigado a corrigir para pior e continuamente as suas previsões. Assim, a variação do PIB em 2012 segundo as previsões do governo tem sido as seguintes: Em Set.2011: -1,8%; em Out.2011: -2,8%; e em Dez.2011: -3%. E certamente a recessão económica será muito pior do que as previsões do governo..

Eugénio Rosa, Economista

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Factor de sustentabilidade vai reduzir a pensão em 3,9%
Publicado quinta-feira, 8 de dezembro de 2011 | Por: Notícias do Nordeste

Eugénio Rosa
Tomando como base dados divulgados pela Segurança Social referentes a Outubro de 2011 concluo, neste estudo, que a pensão media paga a cerca de 1,9 milhões de pensionistas da Segurança Social é, em 2011, de apenas 409 euros.

Se a análise for feita por género, conclui-se que a pensão média recebida pelos homens é de 531 euros, e a das mulheres de 304 euros (57,2% da dos homens), mas variando muito de distrito para distrito.

E é tendo como base estes valores de pensões médias da Segurança Social que o governo decidiu manter o congelamento das pensões também em 2012, com exclusão apenas das pensões mínimas, e pretende apropriar-se, em média, de um de subsídios; ou dos subsídios (ferias e Natal) de cerca de 600.000 reformados e aposentados.

Entre 2008 e 2012, o valor percentual da redução da pensão determinada pela aplicação do factor de sustentabilidade aumentou em 603%, pois passou de 0,56% para 3,92%. Isto significa que, em 2012, os trabalhadores que se reformarem ou aposentarem se quiserem compensar aquela redução terão de trabalhar mais entre 4 meses e 12 meses.

E se mantiver o mesmo ritmo de aumento da esperança de vida que se verificou entre 2006 e 2011, os que se reformarem ou aposentarem em 2050 terão de trabalhar mais entre 26 e 79 meses (entre 2,2 anos e 6,6 anos).

Estas são algumas das conclusões do estudo que realizei, que foi feito com base em dados oficiais, e que espero que possa ser útil.

Ver estudo »»»

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Sabe como alimentar os eu cão esterilizado?
Publicado domingo, 4 de dezembro de 2011 | Por: Notícias do Nordeste

A esterilização é sinónima de inúmeros benefícios ao nível do comportamento e saúde do seu amigo canino. Nos países anglo-saxónicos, é prática corrente esterilizar os cães que não vão procriar. As vantagens são muitas: controlo reprodutivo eficaz; diminuição da incidência de cancro de mama, útero, ovários e testículos;  Diminuição do risco de diabetes, infecções uterinas e, ainda, vantagens no comportamento social dos animais, eliminando as atitudes de agressividade relacionadas com a hierarquia de género ou atitude territorial. Paralelamente, as necessidades alimentares também se alteram. Os cães esterilizados têm necessidades alimentares específicas. Porquê? Poem tornar-se menos activos, pode aumentar o apetite, podem ter tendência para ganhar peso, entre outros. Uma alimentação correta associada a um estilo de vida adequado são fundamentais para que se evitem a obesidade, a consequência mais comum e temida pelos proprietários.

Descubra até que ponto conhece as necessidades do seu cão!

1. Está familiarizada com as alterações físicas e necessidades alimentares que o cão sofre durante e após o processo de esterilização?
a) Não e não me interessa. (1)
b) Sim, informei-me com o médico veterinário e vou implementar (3)
c) Mais ou menos, mas não devo respeitar (2)

2. Sabe que existe no mercado alimento adequado às necessidades dos cães e cadelas esterilizados?
a) Sim, conheço bem (3)
b) Desconheço (1)
c) Já ouvi falar (2)

3. O seu cão já está esterilizado. O que lhe dá de comer:
a) Qualquer coisa, restos (1)
b) O mesmo alimento industrializado de sempre, para não estranhar (2)
c) Dou-lhe alimento industrial para animais esterilizados (3)

4. De que forma a esterilização pode afectar o seu cão ou cadela?
a) O animal fica mais enérgico, mais rebelde e come tudo o que lhe dou (1)
b) O animal fica mais calmo mas perde o apetite (2)
c) O animal fica mais calmo, mantem o apetite mas é necessário ter mais cuidado com a sua alimentação (3)

5. Após a esterilização, como é que pode ajudar o seu cão a manter o peso ideal?
a) Dou-lhe a comida de sempre, em menor quantidade, evito os biscoitos e fazemos uma caminhada por dia (1)
b) Opto por alimento indicado para animais esterilizados, evito os biscoitos e fazemos caminhadas regulares (3)
c) Dou-lhe a comida de sempre mas fazemos mais caminhadas por dia (2)

6. O alimento industrial é todo igual?
a) Não. A leitura dos rótulos permite verificar que existem diferenças ao nível dos nutrientes, do teor de vitaminas e da palatabilidade (3)
b) Sim. O que difere é a marca e o preço (1)
c) Não. As marcas mais caras são melhores que as mais baratas (2)

7. Apenas a esterilização leva à obesidade?
a) Não. Um animal que tem uma alimentação inadequada engordará operado ou não (3)
b) Sim. Mas as vantagens para a saúde devem falar mais alto (1)
c) A esterilização e a falta de exercício físico são os principais factores que levam ao aumento de peso (2)

Respostas: b/a/c/c/b/a/a
(+ de 15) O cão à imagem do dono…
Saudável, feliz e em segurança! É assim que o seu animal de companhia se deve sentir e compensa-o… em dobro! A sua consciência pelo bem-estar do seu amigo levou-o a tomar a decisão de o esterilizar e tem consciência de que é preciso alterar alguns hábitos alimentares. No fundo sabe que a alimentação orientada para animais esterilizados tem menor valor calórico e que ajuda a reduzir o apetite entre refeições. Mesmo assim é importante dar-lhe apenas o recomendado, reduzir os biscoitos (ricos em calorias) ao mínimo e manter o seu animal de companhia activo. Até porque, manter uma vida activa não faz bem apenas a ele, certo? Estes sim são os verdadeiros mimos que aumentam a cumplicidade entre os dois! E que faz (a ambos) ganhar anos de vida!

(15-6) Mudança a dois pés e a quatro patas!
As vantagens da esterilização são notórias desde o início! E até tem seguido as indicações do médico veterinário. Mas lembre-se, a adaptação deve ser gradual. Tal como nos humanos, é natural que o seu animal de companhia lhe peça atenção em forma de comida. Mas, resista ao charme! Lembre-se, um dos maiores perigos da esterilização está associada ao aumento de peso: Mexem-se menos, logo gastam menos energia. Por isso, o alimento industrial que lhe dá deverá ser indicado para animais esterilizados, ter um baixo valor calórico, boa palatabilidade e que garanta um bom processo digestivo. Ah! E não abuse nos biscoitos, são muito calóricos. Não se esqueça também da componente física. As brincadeiras e caminhadas são simples momentos de cumplicidade que pode e deve fomentar!

(6-0) Afinal, quem manda lá em casa?
É verdade que os animais de companhia têm tendência a ganhar peso após a esterilização. Mas não culpe a operação por ter um cão ou cadela obeso(a) em casa. A esterilização aumenta a esperança de vida dos animais e elimina ou reduz os comportamentos incomodativos associados ao cio nas fêmeas e à marcação de território nos machos, mas também é verdade que os deixa menos activos. Assim, cabe-lhe motivá-lo para a actividade física (brincadeiras, caminhadas…) e adequar a alimentação às novas necessidade energéticas. Reduza os biscoitos (ricos em calorias), prefira alimento industrial com menor valor calórico, com melhor palatabilidade e que potencie um bom processo digestivo. Vai ver que ele agradece. Lembre-se: Em caso de dúvida fale com o médico veterinário. Permita que o seu cão tenha longos e bons anos de vida, na sua companhia!

Joaquim Henriques (Médico veterinário)

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Esterilização: Sim ou Não?
Publicado | Por: Notícias do Nordeste

Muitas são as questões associadas ao tema da esterilização. A discussão durante as consultas sobre a esterilização acaba por levantar questões engraçadas: É de realçar a solidariedade entre machos, normalmente os donos do sexo masculino, considerando uma crueldade esterilizar o seu cão, enquanto as senhoras são renitentes ao sofrimento que a sua cadela poderá sentir com o procedimento. Mais uma razão para que esteja bem informado de forma a poder colocar as perguntas certas ao médico veterinário e tomar uma decisão consciente. O médico veterinário Joaquim Henriques dá uma ajuda e tira algumas dúvidas.

Qual o comportamento dos canídeos antes da esterilização?
Os machos estão sobre a forte influência da hormona testosterona, sobretudo durante a adolescência, altura em que os valores desta hormona podem ser bastante mais elevados do que durante a vida adulta. Assim, é natural observarem-se comportamentos como a marcação do território com urina ou a agressão/intolerância social e fuga, associados a esta "hiperestimulação hormonal”. Os machos não castrados, têm mais dificuldade em se concentrarem e, consequentemente, em conseguirem ser treinados e educados.

Nas fêmeas, o cio pode alterar o estado de disposição e manifestar-se, repentinamente, sob a forma de agressividade durante ou após a gravidez. A fuga e a emissão de gemidos e agitação nocturna constituem, também, exemplos de alteração comportamental associada ao período do cio. As fêmeas podem, ainda, começar a urinar pela casa para atrair os machos.

O que é a esterilização/castração?
É a remoção cirúrgica dos órgãos com funções reprodutoras. Nas fêmeas, procede-se à retirada do útero e dos ovários, deixando o animal de ter cio. Nos machos, retiram-se os testículos. Portugal obriga à esterilização dos cães considerados de raças potencialmente perigosas.

Todas raças de cães podem ser esterilizadas?
Sim.

Por que deve esterilizar o seu cão?
As grandes vantagens prendem-se com o controlo das populações errantes de cães, evitando o abandono, a diminuição de comportamentos agressivos, a prevenção de determinadas doenças (hipertrofia benigna da próstata, quistos prostáticos ou cancro) e a diminuição da disseminação de doenças infecto-contagiosas.

Qual a idade ideal para o fazer?
É discutível, mas os últimos estudos demonstram ser seguro realizar entre os 5 e 7 meses de idade, de preferência sempre antes do 1º cio no caso das cadelas.

Após a esterilização, o que esperar do seu cão?
As brincadeiras, a amizade e a socialização com seres humanos não são alteradas. O que se alterará são apenas os comportamentos indesejados: agressividade, marcação urinária e o impulso sexual.

Nas cadelas, devemos esperar o mesmo?
A esterilização nas fêmeas traz grandes benefícios. O principal está associado à diminuição do risco de desenvolver cancro de mama. A esterilização antes do 1º cio reduz para quase zero o risco de desenvolver tumores mamários, bem como a "gravidez histérica". Outra vantagem prende-se com o controlo da diabetes, pois a esterilização previne o descontrolo provocado pelas alterações hormonais dos cios. O risco de desenvolverem infecções no útero que levam a cirurgias de urgência e a risco de morte por septicemia ficam, igualmente, reduzidos.

A pilula não poderá ser uma alternativa à esterilização?
A pílula é uma das principais causas de cancro de mama e infecções uterinas. Nos casos de neoplasia mamária é recomendado, para além da remoção do tumor, a realização de ovariectomia, para diminuir risco de recidiva. A pílula pode ainda estar associada ao desenvolvimento de outras doenças como diabetes, quistos na glândula mamária, ovários e útero.

A cirurgia da esterilização é dolorosa?
Nos tempos que correm as vantagens da castração ultrapassam, largamente, as desvantagens. Relativamente aos receios da anestesia, cirurgia e recuperação pós cirúrgica, há a ter em conta que a Medicina Veterinária evoluiu muito nas últimas décadas. As anestesias são muito seguras, fazendo uso das mesmas técnicas que se usam em medicina humana, o maneio da dor é excelente e existe, também, a possibilidade da cirurgia laparoscópica, em cadelas e gatas, permitindo a alta do animal no próprio dia.

Os animais esterilizados ficam mais “moles”?
Não é verdade que os animais castrados ficam mais “moles” e inactivos e com tendência para engordar. Tudo depende do estilo de vida. Um animal esterilizado fica com mais apetite devendo, por isso, ter uma alimentação industrial adequada, assim como ser estimulado a desenvolver exercício físico diário, seja cão ou gato.

Os cães aumentam de peso depois da esterilização?
Eles só aumentarão de peso se comerem demais e inadequadamente. Este é o momento em que deverá ter especial atenção à sua alimentação. Existe no mercado alimento industrial indicado para animais esterilizados, menos calóricos, e que respeitam as necessidades energéticas do seu animal.

A actividade física continua a ser importante?
Sempre! Mantê-lo activo vai ajudá-lo a controlar o peso, evitando que engorde. Por outro lado, as brincadeiras a que o submeterá é uma forma simples e eficaz de estreitar a relação que tem com ele.

Joaquim Henriques (Médico veterinário) 

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A importância das funções sociais do Estado
Publicado | Por: Notícias do Nordeste

Eugénio Rosa
Nos últimos anos tem-se assistido em Portugal, por parte do governo e das forças politicas e patronais que o apoiam, a um gigantesco ataque contra os trabalhadores da Função Pública acusando-os das consequências das más politicas dos governos ao serviço dos chamados “mercados”, que são constituídos pelos grandes bancos, pelas grandes companhias seguradoras e pelos fundos (acções, pensões, FIM, FII, Gestão do Património), e fazendo incidir sobre estes trabalhadores medidas extremamente gravosas.

Chega-se ao ponto de acusar estes trabalhadores de “privilegiados”, procurando-se assim dividir trabalhadores e atirar uns contra os outros. Os que se deixam enganar por esta propaganda mentirosa acabam por se transformar, inconscientemente, em instrumentos de uma ataque mais geral, não só a esses trabalhadores, mas também às funções sociais do Estado, que são vitais para todos os portugueses que é, no fundo, objectivo final de todos estes ataques, visando transformar os serviços públicos em áreas de negócios lucrativas para os grupos económicos privados à custa do Orçamento do Estado e da população, como procuramos mostrar nestes estudo.

Ver estudo »»

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Boa cozinha, boa vida!
Publicado | Por: Notícias do Nordeste

Vitor Dauphinet
A confeção dos alimentos transformou-nos, melhorou o nosso estado nutricional, desenvolveu-nos física e mentalmente, sendo indissociável da cultura de cada povo. Mas nem todos os métodos culinários são igualmente vantajosos.

Um dos aspectos importantes que nos diferencia dos outros animais é o facto de não nos alimentarmos somente do que a natureza nos oferece, pois também comemos alimentos transformados por acção do calor (cozinhados). Este aspecto, único entre todos os animais, foi crucial para o nosso sucesso enquanto espécie.

Porquê?
Cozinhar (cozer, grelhar etc.) constitui uma espécie de pré-digestão, que permite ao nosso organismo o acesso a inúmeros nutrientes, que de outra forma por si só não seria capaz de aproveitar com a mesma eficácia.

A confecção diversificou a nossa alimentação, tornando-a mais segura, pois o calor inactiva substâncias naturais potencialmente tóxicas, elimina microrganismos patogénicos frequentemente presentes nos alimentos (causadores de muitas doenças).

Bons cozinheiros
Costuma dizer-se que o sal e a gordura são os maiores aliados dos maus cozinheiros e também de inúmeras doenças graves evitáveis (tais como a obesidade, doenças do coração, cancro etc.). Para que uma refeição seja saborosa e saudável é necessário limitar a adição destes ingredientes e aumentar a presença de água, fibra, especiarias e ervas aromáticas. Para isso é preciso alguma arte e engenho, motivo pelo qual deveríamos ser iniciados o mais cedo possível, no mundo da boa culinária (ou dos bons cozinheiros).

Contudo, mesmo sem recurso a formação básica de cozinha, é possível melhorar de forma simples e prática a confecção dos nossos pratos. Para o efeito aqui ficam algumas sugestões: Privilegie os cozidos, assados, caldeiradas, jardineiras, grelhados e outros pratos de elaboração simples. Invista também na sopa, e saladas a todas as refeições, contudo adicione-as de pouca gordura e sal.

Certos utensílios como p.e. frigideiras e tachos com revestimento antiaderente, são um bom investimento pois permitem cozinhar com muito menos gordura. A panela de pressão também é muito útil pois possibilita uma confeção mais rápida e com menor perda de nutrientes. No caso dos ingredientes, aventure-se no mundo das especiarias e ervas aromáticas, verdadeiros aliados contra a adição excessiva de sal na alimentação; Incorpore mais água e fibra nos seus cozinhados: Para o efeito faça refogados/estufados com mais cebola e tomate (ou a sua polpa), evitando assim adicionar demasiada gordura. Quando optar por assar, tempere os alimentos em vinhadalhos ou marinadas. Nos laticínios prefira-os com menor teor de gordura (natas light, queijo e leite magro etc.).

Não se esqueça que a boa alimentação é um desafio. Saia da sua zona de conforto e experimente aventurar-se em novos territórios. Vai ver que compensa no sabor e na sua saúde.


Vitor Dauphinet: nutricionista, Movimento Hiper Saudável

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